Blog Automobilismo em Debate

Homenagens



MEMÓRIA DO ESPORTE


ALDO COSTA

SALVADOR - Nascido no mês de agosto de 1933 em Porto Alegre, onde passou a infância e adolescência. Seu nome completo: Aldo Lourival Peixoto Costa. Gostava de futebol e praticou o esporte no Nacional Atlético Clube, tendo até sido campeão juvenil em 1951 aos 17 anos.


Assistindo provas realizadas no Parque da Redenção em Porto Alegre tomou gosto pelo automobilismo e como tinha posses e possuía bons conhecimentos de mecânica, adquiridas na empresa de ônibus da família, fez sua primeira corrida em 1951 no Parque Farroupilha no centro de Porto Alegre, iniciando então sua carreira. Ao contrário da grande maioria dos pilotos daquela época, que começavam a correr mais velhos, ele começou com 18 anos de idade com um carro Simca Oito nº 40. Era o "baixinho" entre os pilotos mais velhos.

Era uma pessoa gentil e amiga, mas ao volante de um carro de competição transformava-se em um piloto muito aguerrido, foi campeão na categoria 1300 cc. em 1954, com o Simca Oito. A partir de 1956 passa a correr com um Volkswagen equipado com motor Porsche, em geral fazendo dupla com outro piloto gaúcho: Haroldo Dreux, dupla essa que marcou presença positiva naquela década.


No final dos anos cinqüenta e começo dos sessenta correu também com uma carretera Chevrolet/Corvette, mas com a chegada dos carros nacionais no inicio dos anos sessenta, passou a correr de Simca. Fez sua primeira corrida com essa marca em parceria com Vitório Andreatta num Simca Chambord de 2432cc, com o n° 33, na prova II 24 Horas de Interlagos de 1961, onde obtiveram o 6º lugar, correu também com FNM/JK e Volks, mas seu preferido era o Simca. Ficou famoso seu Simca nº 3. Com esse carro chegou a fazer dupla com Catharino Andreatta nas 12 Horas de Porto Alegre/63 e com Breno Fornari nas 6 Horas de Pelotas de 1963, mas aí correndo com o nº 35.

Desde o início sempre andou na frente, já nas categorias de baixa cilindrada, foi, enfim, um volante de ponta, correu com uma diversidade de carros e categorias, sempre conseguindo excelentes resultados. Em março de 2004 foi baixada sua última bandeira quadriculada, faleceu com 71 anos deixando amigos e família, duas filhas.

Passagens da carreira de Aldo:

21/10/1956 - IX Circuito Parque Farroupilha/RS - VW/Porsche nº 10

12/04/1959 - II Circuito Cavalhada/Vila Nova - RS - Carret. Chevrolet nº 12

23/04/1961 - Prova Jubileu Folha da Tarde/RS - VW


23/09/1962 - III 500 Quilômetros de Porto Alegre/RS - VW/Porsche nº 36

12/10/1969 - Prova Vale das Antas/RS - VW1600 4 portas nº 3

03/01/1971 - 3ª Etapa do Campeonato Gaúcho (70) - Autódromo de Tarumã/RS - VW Sedan n° 3

 

 



Escrito por PG às 18:13
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MEMÓRIA DO ESPORTE

GRAZIELA FERNANDES

SALVADOR - Paraguaia de nascimento e brasileira de coração tinha sangue italiano nas veias, sua mãe era italiana, na sua pré-adolescência quis, pediu e ganhou uma pequena moto de 50cc. 

Já adolescente fez o Curso Normal e, gostando muito de motores e velocidade, fez também um curso Técnico de Engenharia de Motores. 

Nasceu no Paraguai, mas na primeira oportunidade mudou-se para o Brasil, e, já naturalizada, diz até hoje que se considera brasileira pelo tanto que gosta do país. 
Morando inicialmente no Rio de Janeiro e possuindo um carro esporte marca Willyes Interlagos, conversível, inscreveu-se em uma prova feminina, preliminar da "100 Milhas da Guanabara", onde correu patrocinada pela concessionária Cássio Muniz, que cuidou da preparação do carro.

Morava no Rio e querendo sempre estar perto de automóveis e motores tentou trabalhar na FNM, mas não conseguiu, depois tentou em São Paulo e conseguiu na Willys. Feliz da vida, mudou-se imediatamente para São Paulo e começou a trabalhar no Depto. de Engenharia Experimental como piloto de testes, testava tudo que seria lançado um ou mais anos depois. Os engenheiros introduziam modificações e os pilotos testavam.

Por essa época corriam na Equipe Willys, Wilson Fittipaldi e seu irmão Emerson Fittipaldi, o Moco e o Pereira Bueno, tentou correr pela equipe, mas não podia porque trabalhava na fábrica, então a Willys lhe cedeu um Renault 1093 para correr, o carro era da fábrica, mas não da Equipe, mas era a Equipe que preparava o carro.

Nessa época quem ajudou muito, ensinando, apurando seu dom natural de correr, foi Luiz Pereira Bueno, um piloto muito técnico e rápido. Sua primeira corrida com esse carro foi em Interlagos numa prova feminina, chegou em 3º lugar, depois correu em Piracicaba onde participou de duas corridas, Grupo II e Grupo III. Correu os Mil Km de Brasília de 1966 em dupla e com a Berlineta do "Tigrão" da Torke (Luiz Carlos Fagundes), mas foi a Equipe Willys que preparou o carro.

Não terminaram, o carro quebrou quando faltavam apenas duas horas para o final. Tinha uma de passeio, modelo Berlineta, que tirou zero na fábrica, com motor mais possante.

Saiu da então Ford-Willys quando a Chrysler a convidou em 1967 para montar um curso de mecânica para mulheres, iniciou o curso, mas na época, paralelamente, existia o Curso Marazzi de Automobilismo Depois da Ford foi trabalhar numa concessionária Volkswagem na Av. Ibirapuera em São Paulo, a Itapuã, como gerente de vendas de novos e usados.

Comprou um Karman Ghia com motor Porsche, mas o câmbio não agüentava, era curto, muito bom para arrancadas que em 68/69 foi patrocinado pela Ford que a chamou para fazer o curso na Ford. Lá foi ela para a Ford, o Marazzi fazia o curso para homens e ela um voltado para mulheres.

Esse período, 1968 e 69, com o autódromo de Interlagos fechado para reformas e desligada da Ford, não competiu, mas sempre continuou ligada aos automóveis.

Em 71 também participou, sozinha, das "VI 6 Horas de Interlagos", pelo anel externo e em 3 baterias, chegou em 7º lugar na geral. 

Em 1983, meses antes das Mil Milhas, seu marido quis correr em dupla com ela e como era uma corrida longa, boa, compraram um carro pronto, o Opala StockCar de Zeca Giaffone que havia sido preparado por Jayme Silva, mas como ele tinha sua equipe, então foi Vinicius Losacco quem preparou e deu assistência de pista.

Com gasolina nas veias, quando no ano de 1990 a convidaram para fazer o Campeonato de Off-Shore, barco, aceitou. Fez o Campeonato Brasileiro de Off-Shore de 1990 e se saiu muito bem, ficou em 3º lugar na categoria Off-Shore. "- Parei porque pararam as corridas de Off-Shore. Teve um tempo que parou, proibiram, senão eu teria continuado, era uma maravilha."

Por todo esse tempo teve moto Kawasaki Ninja de 900cc., avião (25 anos - 74/99), sempre carros com motores possantes. Isso nunca mudou, estava no sangue.

Quando em 1995, a mesma equipe, agora com barcos da categoria Fórmula 1, tinham 3 barcos, mas 1 dos barcos, o piloto, italiano, estava na Europa e não conseguiu vir, então a convidaram, era uma final de Campeonato na Represa de Guarapiranga em São Paulo e estavam na frente do campeonato, naturalmente aceitou. A corrida era no domingo, o convite foi na quinta, na sexta arrumou macacão, capacete, tudo, aí treinou no sábado, correu no domingo e chegou em 3º lugar.

Passagens da carreira de Graziela:

26/07/1964 - 100 Milhas da Guanabara/RJ - Prova Feminina - Barra da Tijuca - Willys Interlagos 998cc nº 19

22/11/1970 - X Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº 33 - C/Carlos Sgarbi

21/03/1971 - 12 Horas de Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº 33 - C/Ciro Cayres

07/09/1971 - XII 500 Quilômetros de Interlagos/SP - Alfa Romeo GTA 1.570cc nº 33

22/01/1983 - XIII Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP - Opala 4.093cc nº 21 - C/Carlos Alberto dos Santos



Escrito por PG às 23:51
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MEMÓRIA DO ESPORTE

LUIZ VALENTE

SALVADOR - Nascido em 16 de outubro de 1910 no bairro da Consolação, na cidade de São Paulo, foi desde sempre um apaixonado por corridas. Assistindo Pintacuda, Von Stuck, Chico Landi, Nascimento Junior, correrem, ficava sonhando em ser piloto.

Cedo, com 20 anos, começou a trabalhar como mecânico na "Biscoitos Duchen", no bairro da Mooca, em 1950 a fábrica mudou-se para a Via Dutra numa moderna fábrica projetada por Oscar Niemeyer, e onde desenvolveu uma bela carreira chegando à chefe responsável pela oficina mecânica da fábrica. Mas o sonho de correr permanecia.

Na época da II Guerra, com o racionamento de combustíveis e a proibição de corridas que usassem gasolina como combustível, surgiu sua oportunidade de começar. Na "Duchen" desenvolvia aparelhos de gasogênio que eram adaptados aos caminhões da empresa, adaptou um deles em seu carro, um Ford Mercury, e inscreveu-se na "Semana do Gasogênio" onde disputou a prova "Interventor Fernando Costa", isso em 1943. Não se lembra o resultado, mas teve ai o início de sua carreira. Tinha então seus 33 anos e já era casado.

Após a prova e com total apoio da "Duchen" começou a fabricar um monoposto, nas próprias instalações da fábrica. Com chassi de fabricação própria e componentes de diversas origens, mais motor Ford V8 (8BA) com equipamentos "Edelbrock", e carenagem também desenvolvida por ele na fábrica, nasceu o primeiro  "Duchen Especial", pois, além do apoio logístico, a "Duchen" também o patrocinava.
 
Com esse apoio, que durou sua carreira toda, ele construía, reconstruía, modificava, aperfeiçoava e alterava a aparência de seus "Duchen Especial", até comprar, em 1964 uma Alfa-Romeo/Corvette de Camilo Cristófaro e que depois vendeu ao Justino de Maio.

Sua carretera, segundo me disse, inicialmente era seu próprio carro de uso pessoal, um Ford Coupe 1938 equipado com motor V8 (8BA) com equipamentos "Edelbrock", e que após cada corrida eram colocados de volta os pára-lamas, capô e acessórios. (por exemplo: as portas, pesadas, eram substituídas, nem sempre é claro, mas quase, por réplicas em madeira, mais leve, não havia ainda a fibra de vidro), "-...não haviam muitas corridas, não compensava manter dois carros", disse ele. Esse carro era usado só para as provas de "Mil Milhas" e foi usado até 1961, sua paixão eram os "charutinhos" (fórmulas).  Em 63 comprou uma carretera Ford 1934 do Claudio, que era mecânico do Justino de Maio, e que equipou com um motor de F-600 com carburador Quadrijet, comando de válvulas de competição e um balanceamento super bem feito. Seu Ford Coupe/38 então ficou apenas para uso pessoal.

Passagens da carreira de L. Valente:

15/08/1948 - I Circuito de Campinas/SP - Ford V-8 Adaptado 3.280cc

03/08/1952 - III Prova "Crônica Esportiva Paulista" - Interlagos/SP - Duchen Especial/Ford nº 22 - 3.800cc

28/11/1954 - 100 Milhas do IV Centenário - Interlagos/SP - Duchen Especial/Ford nº 22 - 3.800cc

25/08/1957 - IV Prova Cinqüentenário do ACB - MN - Interlagos/SP - Duchen Especial/Corvette nº 22 - 4.500cc

05/04/1959 - III Circuito de Pirajuí/SP - Duchen Especial/Corvette nº 22 - 4.500cc

27/03/1965 - II 1600 Km de Interlagos/SP - Com Luiz Carlos Valente - Carretera Ford/F-600 nº 22 - 4.200cc

20/03/1966 - Prêmio APVC - TFL - Interlagos/SP - Carretera Ford/F-600 nº 22 - 4.200cc



Escrito por PG às 17:46
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MEMÓRIA DO ESPORTE

CAMILO CHRISTOFARO

SALVADOR - Nasceu em São Paulo (SP) no dia 27 de abril de 1928 no Bairro do Canindé e foi lá que passou sua vida toda. Sua mãe, Dna. Esperança, era irmã de Chico Landi, mecânico e corredor de automóveis. Aos 12 anos Camillo esteve presente na inauguração de Interlagos (17/05/1940) e assistiu o tio chegar em 2º lugar na prova “III Grande Premio Cidade de São Paulo”. Seu outro tio, Quirino Landi, também participou.

Foi estudar no SENAI no Bairro do Brás (torno, fresa e plaina), mas antes, já os 14 anos, começou a trabalhar, inicialmente de ajudante numa oficina mecânica na rua onde morava,aos 18 anos foi prestar serviço militar e ao dar baixa tirou carteira de habilitação. Com a carteira passou a trabalhar guiando caminhão, até 1951 com 23 anos.

Aos 24 anos, (1952), montou oficina própria e também se casou com Dna. Wilma. Pouco depois começou a construir o seu carro de corrida, um monoposto Mecânica Nacional usando a estrutura do chassi de um Alfa Romeo, com motor Ford e o resto montado a partir de peças de diversas origens, além de uma carroceria feita por ele mesmo. Levou quase 3 anos para construir o carro que recebeu o nº 18 em homenagem à data de aniversário da esposa, como  seu filho gostava de ver gibis e adorava as histórias dos lobinhos, Camillo mandou pintar um lobinho no carro.

Em 1957 obtêm sua primeira vitória, em 57 tem também seu primeiro acidente sério, na “IV Prova do Cinqüentenário do ACB” vinha em segundo quando a manga de eixo se partiu e o carro sem a roda dianteira esquerda foi de encontro ao barranco, Camillo por  sorte nada sofreu. Na prova “ 500 Quilômetros de Interlagos” participou em dois carros, fez dupla com Djalma L. Pessolato em seu “Camillo Especial”, agora com motor Corvette e fez dupla também com o tio, Chico Landi, no Perfect Cicle Especial. Mas, abandonam logo no inicio, com 7 e 4 voltas 1956, respectivamente.

Em 1970, com Interlagos reaberto voltaram as corridas, mas Camillo também correu no Paraná e na inauguração do Autódromo de Tarumã (RS), onde, apesar de ter largado em ultimo pois não treinou, terminou em 3º lugar, atrás apenas do Fúria de Jayme Silva e do Bino Mark II de Pereira Bueno, dois carros construídos por Toni Biano. Com esse mesmo carro ganhou a prova de velocidade da Av. Marginal, em São Paulo, quando atingiu 236.74 km/h no quilômetro lançado. A prova foi um festival de recordes, em linha reta, na Marginal do Rio Pinheiros em São Paulo. Camillo correu com a carretera até 1971, a categoria TFL já não existia mais, seu carro enquadrava-se na Divisão 4 (protótipo nacional com motor estrangeiro).

Sua última corrida com a carretera foi a 1ª etapa da Copa  Brasil de 1971 (11/12), a partir da 2ª etapa (18/12/1971) estreou o protótipo Fúria/Ferrari que havia encomendado ao carrozieri Toni Bianco, fez apenas 2 corridas com esse motor. Para se adaptar ao regulamento trocou por um motor Dodge Chrysler nacional, correu com ele os anos de 1972 e 73 e a partir da “Mil Milhas” de 1973 passou a usar um Ford Maverick V8, até que em 1975, aos 47 anos, realizou um de seus sonhos, correr em dupla com o filho Camilinho, então com 22 anos, na prova ”6 Horas de Interlagos”, estavam na liderança quando faltando menos de 1 hora para terminar Camillo recebeu placa para pit-stop na próxima volta, mas na Curva do Sol perdeu o traçado e colocou uma roda na grama ainda molhada da chuva e o Maverick escapou e bateu no guard-rail externo, chegou ao box falando que era um “salame”, que corria a mais de 20 anos e cometera uma besteira.

Continuou correndo de Maverick o Campeonato de 1975 e fez 3 provas do Campeonato de 1976, aí parou de correr, mas não de preparar carros.

13 anos depois, em 1989, já com 61 anos, Camilinho (36 anos) o convence a correr mais uma “Mil Milhas”, correram com um Chevrolet Opala equipado com cambio Corvette e um motor de aproximadamente 300 cavalos. Foram 197 voltas, pouco mais de 11h34min. e um 3º lugar na geral e 1º na categoria Força Livre Nacional.

Foi esta sua última corrida e, coincidentemente, também a última “Mil Milhas” realizada no circuito antigo que ele tanto conhecia, no final daquele ano Interlagos foi fechado e a pista reformada, foi reduzida de seus quase 8 Km para 4.309 metros.

Passagens da carreira de Christofaro:

08/04/1956 - Abertura da Temporada do ACB - Interlagos/SP - Camillo Especial/Ford 3.917cc nº 18

07/09/1957 - I 500 Quilômetros de Interlagos/SP - Camillo Especial/Corvette 4.343cc nº 18 - c/Djalma L. Pessolato

23/02/1958 - Prova Crônica Esportiva Paulista - Interlagos/SP - Camillo Especial/Corvette  4.343cc nº 18

15/10/1972 - Campeonato Brasileiro Div.4 - 3ª Etapa - Interlagos/SP - Furia/Chrysler 5.212cc nº 18

18/05/1975 - 6 Horas de Interlagos/SP (500 Milhas Itacolomy) - Ford Maverick 4.950cc nº 18 - c/Camillo Christofaro Jr.

17/10/1976 - 5ª Etapa do Paulista de Div.3 - Interlagos/SP - Ford Maverick 4.950cc nº 18

22/01/1989 - XIX Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP - Chevrolet Opala 4.093cc nº 18 - c/Camillo Christofaro Jr./Americo Bertini



Escrito por PG às 16:48
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MEMÓRIA DO ESPORTE

AROLDO LOUZADA

SALVADOR - Nasceu na cidade de Matão, próximo à Araraquara, região central do estado de São Paulo, no dia 09 de fevereiro de 1939, filho do oficial da PM (Policia Militar) Pedro Louzada e Dna. Jacomina Natal, tinha uma irmã, e quando ainda era criança, devido a transferência do pai, a família se mudou para São Paulo indo morar no Bairro do Tatuapé. Lá, cresceu, estudou e se iniciou na prática esportiva, praticou remo no Sport Club Corinthians Paulista, onde chegou a vencer um campeonato.

Ainda no bairro do Tatuapé, já mais velho, abriu com o pai a empresa de plásticos, Louzada & Louzada Ltda., casou-se, fixou residência na Rua Francisco Marengo, abriu oficina mecânica, até que em 1963, aos 33 anos, começou a correr de automóveis, no mês de março inscreveu-se na prova “12 Horas de Interlagos” para carros nacionais, correu com um Simca Chambord tendo como parceiros: Alcides Camporezzi e Arnaldo de Almeida. Logo em seguida participou de outra prova longa, a “12 Horas de Brasília”, a bordo de um Simca Rallye em dupla com Justino de Maio, corredor do Tatuapé que viria a vencer a prova “Mil Milhas Brasileiras” de 1965. 

Como sua aspiração era correr com verdadeiros carros de corrida, não com carros de turismo tipo GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) que eram quase originais, nem os pára-choques eram retirados, comprou então de Ubaldo Cesar Lolli um carro Maserati, monoposto da categoria Mecânica Nacional abaixo de 2.500cc.

Agora que tinha um verdadeiro “carro de corrida” não podia ficar de fora da maior prova da categoria, o “500 Quilômetros de Interlagos” realizado no Dia da Independência, 7 de setembro, pelo anel externo da pista antiga de Interlagos. Sua Maserati/Simca foi preparada por ele em sua oficina da Rua Vilela, mas ela o traiu, pouco antes da largada quebrou, e por isso não pôde correr, sua participação se limitou aos treinos e à classificação.

No final de 1963 participou da prova "1500 Quilômetros de Interlagos” com o Simca, dessa vez em parceria com Vitório Azzalin, outro piloto do Tatuapé que viria vencer, em dupla com Justino de Maio, a prova “1000 milhas brasileiras” de 1965. Em 1964 participou do “GP Rogê Ferreira”, de novo com sua Maserati/Simca nº 47, e novamente ficou com o 3º lugar na categoria MN-2.5

Em 1965, já tendo desistido de correr, foi convidado pelo amigo Ayres Bueno Vidal a fazer dupla em sua Carretera/Ford nº 1 da prova 1600km de Interlagos, prova que foi marcada pelo grande numero de quebras, largaram 32 carros 1964 - Largada do GP Rogê Ferreira, mas só 13 cruzaram a linha de chegada, e eles, apesar de estarem indo bem, também foram uns dos muitos que abandonaram por quebra.

Depois dessa prova parou, não correu mais, mas manteve por alguns anos a oficina mecânica.

Sempre foi um apaixonado por motos, e com uma delas sofreu um grave acidente que o obrigou a ficar parado por muito tempo. Quando largou a oficina passou para outro ramo de negócios que nada tinha a ver com automóveis ou automobilismo, passou para o ramo gráfico, onde se saiu muito bem, chegando mesmo a abrir uma empresa: “Lixto - Serviços Gráficos em geral - Off-set, Tipografia e Fotolito”, por essa época mudou sua residência para o bairro do Brás, vizinho ao Tatuapé.

Aroldo foi casado duas vezes, no primeiro casamento teve um filho e uma filha, e no segundo teve dois filhos.

Faleceu aos 68 anos de idade em 29 de fevereiro de 1998, vitima de um ataque do coração fulminante.

Passagens da carreira de Louzada:

10/03/1963 - 12 Horas de Interlagos/SP - Simca Chambord 2.432cc nº 48 - C/Alcides Camporezzi/Arnaldo de Almeida

30/06/1963 - Prêmio Aniversário ACESP - Interlagos/SP - Maserati/Simca 2.432cc nº 48 - C/Arnaldo de Almeida

10/11/1963 - 500 Quilômetros de Interlagos/SP - Simca Rallye 2.432cc nº 48 - C/Victorio Azzalin

26/04/1964 - Prêmio Constantino Cury - Interlagos/SP - Maserati 300S 2.898cc nº 47



Escrito por PG às 20:30
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MEMÓRIA DO ESPORTE

SALVADOR - O Blog AemD em parceria com o Bandeira Quadriculada leva a vc, caro amigo leitor, mais uma iniciativa louvável e que valoriza a memória do esporte a motor.

Semanalmente, traremos para vc a biografia de uma grande estrela do passado e do presente.

Não perca!

O 1º nome do nosso projeto coube ao carioca Bob Sharp. Conheça mais este nome que contribuiu para o surgimento e o fomento do automobilismo no nosso país.

BOB SHARP

A partir de 1959, 60 uma nova geração de pilotos se inicia no automobilismo coincidindo com a nacionalização dos carros de corrida no Brasil, começavam a correr e a vencer os automóveis "made in Brasil" nas mãos, principalmente, dos jovens, e também dos não tão jovens assim, pilotos brasileiros.

Bob Sharp fez parte desta nova geração. Não chegou a correr de carretera, mas correu contra, e elas correram até 1971 quando Camilo aposentou sua famosa "18", a última a parar.

Nasceu no Rio de Janeiro em 14 de novembro de 1942. Seu pai, morando no Bairro da Gávea,  tornou-se fã do automobilismo assistindo as provas do "Trampolim do Diabo" da Gávea, paixão esta que os filhos herdaram, tanto que em 1962 com 19 anos, ainda estudante, Bob estreava nas competições numa prova "6 Horas da Barra da Tijuca", de VW 1200cc.

Seu interesse e paixão eram tanto, que para a prova 12 Horas de Interlagos de 1963 - trocou correspondências com uma empresa alemã especializada em motores dois-tempos que lhe enviaram orientações, e, junto com seu parceiro e primo Billy, construíram um escapamento especial para o DKW que aumentava a potência. Mas não terminaram a corrida, pois após a quebra do pé da bomba de gasolina Billy parou na curva do Sargento, mas Ubaldo Cesar Lolli que competia com um FNM/JK, "reestilizou" a traseira do DKW, quebrando inclusive o tal escapamento. Ainda assim tentaram continuar por mais um tempo, mas o consumo aumentou muito e os gases entravam na cabine, tornando impossível prosseguir.

Em provas longas dividiu o carro com pilotos do nível de José Carlos Pace e Marivaldo Fernandes, para citar só os mais famosos. Venceu diversas delas: 1.000 Quilômetros de Brasília; 25 Horas de Interlagos; 6 Horas de Interlagos; 12 Horas de Goiânia, dentre outras.

Sempre foi um piloto muito técnico e interessado, além de rápido, por isso a partir de 1977 começou a colaborar com o Jornal do Brasil e O Globo, ainda no Rio. Após vir para São Paulo em 1978, para onde veio trabalhar na Diretoria Comercial da Fiat Automóveis, começou então a fazer, a partir de 1982, testes e matérias para a revista Autoesporte.

Num programa de entrevistas na TV, Bird Clemente, outra "fera" do automobilismo, disse depois de alguns elogios ao piloto, que dos pilotos daquela safra,"(...) Sharp é o que tem a melhor memória, é uma verdadeira "enciclopédia" do automobilismo daquela época." (se referindo aos anos sessenta).

Passagens da carreira de Sharp:

25/01/1963 - 12 Horas de Interlagos/SP - Com Billy Sharp - DKW Vemag nº 95 - 981cc

18/06/1967 - Campeonato Brasileiro F-Vê  II Etapa - Jacarepaguá/RJ - Aranae-Vê - 1192

14/04/1968 - IV Mil Quilômetros de Brasilia/DF - Eixo Monumental - Com Araken Gomes - DKW Vemag - 981cc

19/04/1970 - VI Mil Quilômetros de Brasilia/DF - Eixo Monumental - Com Milton Amaral - Casari A1/Ford nº 96 - 4440cc

20/04/1975 - XI Mil Km de Brasilia/DF - Autódromo - Com Edgard de Mello Filho - Ford Maverick nº 5 - 4950cc

25/04/1976 - XII Mil Quilômetros de Brasília/DF - Brasileiro Div.1 - 1ª Etapa - Autódromo - Com Paulo Gomes - Ford Maverick nº 5 - 4950cc

30/04/1978 - Campeonato Brasileiro Fiat 147 - Div.1 - Jacarepaguá/RJ - Fiat 147 - 1297cc

07/09/1981 - XI Mil Quilômetros de Brasilia/DF - Autódromo - Com Giuseppe Marinelli/Giuseppe Cavina - Fiat 147 - 1297cc



Escrito por PG às 13:49
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